quinta-feira, 22 de maio de 2008

The Club - Ação rápida demais

Com enredo de filme de segunda, game tem modo on-line divertido, mas não fica acima da média

Os condenados. Se você já assistiu ao filme, lançado no ano passado, vai se sentir bastante familiarizado com o universo de The Club. Caso não tenha visto, não está perdendo muito - nem na telona, nem no game. O jogo, que testamos no Xbox 360, mas que também está disponível para Playstation 3 e PC, se caracteriza pela ação frenética e tiroteios quase ininterruptos. Porém, estas duas características não foram suficientes para tornar o game acima da média. Faltaram mais exploração e consistência no modo para um jogador e opções mais variadas no multiplayer.

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No longa-metragem, Jack Conrad, um prisioneiro no corredor da morte, é "comprado" por um programa de TV para fazer parte de um reality show com outros assassinos. Levados para uma ilha isolada, os condenados lutam entre si em batalhas mortais. O único sobrevivente recebe um prêmio: a liberdade. Já The Club é um jogo de ação em terceira pessoa, focado na alta velocidade e na precisão. Oito personagens se enfrentam em fábricas abandonadas, becos, edifícios em ruínas e galpões, sempre com três objetivos principais: não morrer, matar os oponentes e achar a saída do local. Apesar da diferença de cor, altura, biótipo e origem, todos têm estilos muitos parecidos, não importando muito qual deles você vai escolher. Durante as 48 fases do modo single-player, vários outros inimigos aparecem durante os combates, mas eles são meros figurantes e morrem facilmente.

Basicamente, existem três modos de jogo. O principal é o "Tournament", no qual o jogador disputa com os outros sete personagens principais quem vai fazer mais pontos por fase. Com o sucesso, o player consegue habilitar novos cenários e opções. Mas, em poucas horas, é possível chegar ao final deste modo. Uma pena que os protagonistas não evoluam com as partidas, ficando, por exemplo, mais rápidos e resistentes. Nos outros dois modos, o jogador pode escolher missões específicas ou montar uma própria, sempre usando os mesmos cenários do “Tournament”.

Os três modos de jogo se resumem a cinco maneiras de jogar. No “Sprint”, o jogador deve chegar à saída do cenário o mais rápido possível. No “Siege”, o player deve defender o seu território contra uma horda de inimigos. No “Time Attack”, como em um jogo de corrida, é necessário dar voltas pela fase no menor tempo possível. Já no “Run the Gauntlet”, você corre contra o relógio para encontrar a saída. Se o tempo acabar, uma bomba instalada no corpo do personagem o transforma em pedacinhos. No último, “Survivor”, o jogador deve ficar vivo, enfrentando os oponentes em uma “arena da morte”. Na prática, você precisa terminar a fase no menor tempo possível. Infelizmente, em boa parte dos mapas, é possível fazer isso em menos de dois minutos.

SERIAL KILLER
Para aumentar o interesse e a diversão do jogador, a Bizarre Creations (produtora do game), famosa pela série Project Gotham Racing e pelo simples e viciante Geometry wars, criou um sistema de combos em The Club. Ele funciona da seguinte maneira: ao matar os inimigos (ou placas com o desenho de uma caveira espalhadas pelo cenário), uma barra aparece na tela e começa a se encher. Quanto mais inimigos são aniquilados em seqüência, mais esta barra enche. Derrotando os oponentes com estilo (tiros certeiros a distância ou na cabeça), o jogador ganha mais pontos e a barra enche mais rápido. Ações cinematográficas, como entrar em um local, quebrando a janela e fuzilando quem estiver pela frente, também ajudam com a barra. No final da fase, o sucesso com os combos garante mais pontos para o jogador.

Mas encher a barra não é o principal desafio. A maior dificuldade é mantê-la cheia, já que ela vai se esvaziando rapidamente com o tempo. Então, o jogador deve matar o maior número de adversários o mais rápido possível, de preferência sempre em seqüência e grande estilo, correndo pelo cenário em uma busca desesperada pela saída. Para ajudar, o player conta com vários tipos de metralhadoras, rifles, pistolas, granadas e até mesmo bazucas. Seria muito legal se o jogador pudesse explorar os cenários com mais calma, o que aumentaria a interação com o game.

MELHOR NO MULTIPLAYER
Se as partidas para um jogador são curtas, sem exploração e um pouco repetitivas, o modo multiplayer pelo menos é mais divertido, já que o comportamento dos adversários é imprevisível. Fica a impressão de que o game foi feito para ser jogado on-line.

No Xbox 360, até oito pessoas podem jogar ao mesmo tempo via Xbox Live (rede exclusiva do console). Mas os modos são os mesmos de sempre: todos contra todos; quatro contra quatro, divididos em dois times; defesa do território em times, além de mais alguns outros e da possibilidade de comparar o seu placar com os de outros jogadores.

Na parte visual, The Club é bom, mas as imagens poderiam ter um aspecto um pouco mais realista e detalhado, levando em consideração o poderio gráfico do Xbox 360. A parte sonora é secundária no jogo, já que o jogador fica tão concentrado em matar os oponentes e terminar as fases rapidamente que ele mal percebe o que ouviu. Já os controles são precisos e fáceis de acostumar.

AVALIAÇÃO
Gráficos 3
Jogabilidade 3
Som 3
Entretenimento 3

Preço: R$ 229,90
*Recomendado para maiores de 17 anos. Jogo, manual e caixa em inglês.

Análise publicada nos jornais Estado de Minas e Correio Braziliense e no Portal Uai.

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